domingo, 20 de setembro de 2009

"Só os doentes do coração deveriam ser atores!"...


Adultos tem muitas maneiras de refletir seus problemas.
As formas mais lúdicas e expressivas, infelizmente, passam longe da vida de muita gente, como a dança, o teatro, as artes de modo geral.
Nesta semana tivemos a oportunidade de refletir muitas coisas na maratona "Porto Alegre em Cena", em que nos impusemos eu e alguns amigos, amantes do Teatro ( outros não tão amantes, mais curiososo...mas vale mesmo assim!)
Deu para refletir o trabalho, as relações de poder,a inquietude da alma, a graça da vida, de forma direta, e muitas vezes, o ego e a vaidade dos seres humanos, de forma indireta(?!?)
Deu para questionar o porquê dos portoalegrenses apalaudirem de pé mesmo coisas muito absurdas...(?!?)
Deu para questionar o quanto é subjetivo o senso e o gosto de cada um, que adoram uma coisa que os outros odeiam, e vice-versa.

Mas enfim...sem dúvida, a linda surpresa do festival para mim, que assiti bem menos do que gostaria,foi o "Só os Doentes do Coração Deveriam ser atores."
Lindo, lindo, lindo...
O que inicialmente me chamou atençao, foi tratar sobre um ator que encenou durante a vida "Ricardo III", o meu texto preferido de Shakespeare, e que agora se vê "proibido" de ser ator por impossibilidade de saúde.
Mas era muuito mais que isso...
O texto na verdade, inspirado no livro de Eugenio Barba "Além das Ilhas Flutuantes", é uma reflexão do inicio ao fim, do que você lembra e esquece diariamente: viver e ser feliz!
Ao falar da morte, na verdade, reflete a vida, as lembranças, os amores, desamores, o caminho percorrido que nos distrai do objetivo inicial: viver e ser feliz!

..."Morremos a cada instante, a cada sonho destruído, a cada erro cometido, a cada amor não correspondido, a cada porta fechada, quando constatamos a ausência, quando não conseguimos dizer a verdade, quando não se faz amor (nem me lembro mais disso), quando se tem fome, quando não se tem fome mas sabe que tem um monte de gente com fome, ao constatar que seu avô morreu pobre e fodido, quando fazemos a opção correta mas parece errada, quando fingimos conhecer um assunto que não dominamos, quando recebemos a notícia que seu amado irmão morreu pela madrugada, quando estamos vivos mas sentimos vontade de morrer...
A morte é só a morte, e nada mais.
Porque tudo isso é viver!!!"....

*trecho do texto adaptado,de Eduardo Figueiredo

Antônio Petrin é sem dúvida um "grande" do Teatro, a musicista Elaine Giacomelli uma delicadeza no espetáculo.

Delicadeza.Tenho gostado muito dessa palavra.

Enfim, saí com o peito cheio, com vontade resolver todos os problemas , que infelizmente, nem sempre estão ao nosso alcance, e ser mais feliz...
Mas ainda há tempo.Todo dia há tempo.


Um comentário:

  1. Isto tudo lembra a música de um dos maiores expoentes da música popular brasleira, pelo menos para alguns, e me incluo nesses, Luís Gonzaga do Nascimento Júnior- o Gonzaguinha com a letra "O que é, o que é? Aquela do famoso refrão: " ...viver e não ter a vergonha de ser feliz....". Esta música é quase uma paráfrase da reflexão. Teu amigo TOM

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